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Maringoni: o verdadeiro homem global

[Maringoni: o verdadeiro homem global]

O filho de dona Lina Ruz e de Don Angel Castro segue vivo na memória, na vida e nas lutas de dezenas, de centenas de milhões de seres humanos que sua vida de alguma maneira tocou.

Não há personagem na História mundial dos últimos 150 anos - absolutamente não há! - cuja morte tenha sido mais anunciada, prevista, apostada e desejada do que Fidel Alejandro Castro Ruz.

Hoje, jornais e TVs estão retirando o pó de textos, fotos e arquivos, acumulados desde os primeiros meses da Revolução, no distante ano de 1959. São montes de obituários pesquisados, prontos, diagramados, editados e até agora engavetados.

Sua morte é alardeada desde a invasão da Baía dos Porcos, da crise dos mísseis, de tentativas de sabotagens, de atentados e urdiduras tramadas pela CIA, pela malta de gusanos da Flórida e por ensandecidos direitistas de todo o mundo.

"Fidel morreu", ouvi em Roma, em 1990. "Fidel morreu", falou-se em Santiago, em 1993. "Fidel morreu", confidenciou-me Teodoro Petkoff, um dos muitos trânsfugas que se bandearam para a direita, em Caracas, há doze anos. Em todos os boatos, havia um complemento: "Mas eles lá estão apavorados, pois com a morte dele, a Ilha acaba".

Fidel morreu. Nada disso acontece. Cuba seguirá. Mais triste, mas seguirá.

Os artigos na chamada grande mídia serão tão copiosos quanto cínicos. Medíocres colocarão a alcunha "ditador" antes de seu nome. Alguns colunistas mais honestos prestarão honras ao maior estadista da segunda metade do século XX para cá.

Fidel morreu, como você e eu morreremos.

É inútil escrever muito mais sobre o personagem, além do que gente mais capaz que eu está fazendo. Estive por duas vezes em reuniões com o Comandante, mas seria muita pretensão relatar aqui impressões pessoais.

Fidel é ateu.

Ele não está em outra vida, não está rindo ou comentando nada em lugar nenhum.

O filho de dona Lina Ruz e de don Angel Castro segue vivo na memória, na vida e nas lutas de dezenas, de centenas de milhões de seres humanos que sua vida de alguma maneira tocou.

Segue até mesmo na existência dos canalhas, golpistas, pilantras e picaretas de todo tipo que hoje saúdam a passagem do rapaz que saiu de um lugarejo chamado Birán para ser eterno.

Fidel não saiu da vida para entrar na História.

Sempre esteve nas duas.

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